Crônicas

Se for para ser, será?

Coronavírus dentro da sua casa. Como é passar pela doença ainda sem cura. 

Por Mellanie Anversa. 

No dia 2 de julho de 2020, Camila Souza, jornalista de 29 anos, teve a confirmação de um dos maiores medos da atualidade, o novo coronavírus entrou na sua casa e infectou a ela e sua família. 

Em isolamento, já que a família mora com a avó, Nazaré Maria de Oliveira, que pertence ao grupo de risco, Camila achou que todo o cuidado que estava tendo seria o bastante para não contrair a doença. No entanto, seu pai Carlos Alberto Santos Souza, continuou saindo de casa para trabalhar e trouxe o vírus do escritório ao restante da família, suspeitam, já que um de seus colegas se infectou antes.

Apesar de estar familiarizada com os sintomas sentidos pelas pessoas que contraíram a Covid-19, Camila disse que nunca tinha lido sobre sintomas fracos. “Eu comecei a sentir muita dor de cabeça, igual enxaqueca. Achei estranho, mas fui dormir. Quando acordei, estava sentindo calafrios. Sabe quando você sabe que vai ficar doente?”, explica a jornalista. 

Todos na casa começaram a sentir os sintomas ao mesmo tempo. E, quando notaram a coincidência disso, resolveram tirar a prova. O resultado, positivo. Camila e sua família haviam contraído o novo vírus que abalou o mundo e ainda está sem cura ou vacina conhecida. 

Ninguém da família teve febre. Os sintomas foram de dores no corpo, cansaço, dor de cabeça e falta de paladar e olfato. “Eu comecei a sentir um cheiro estranho e no outro dia já não sentia mais nada. Esse foi o último sintoma a desaparecer”, relata. 

Mas, outra coisa que a preocupava era a situação dos pais, que mesmo com sintomas fracos, tem mais de 60 anos e ambos com hipertensão. “Minha mãe, que é super ativa, não conseguia levantar para fazer as coisas de casa. A gente via quem estava menos pior no dia para poder fazer almoço e lavar a louça”, explica sobre a rotina durante a doença.  

Sobre o medo de ter contraído a doença, Camila afirma “Foi estranho. Nós ficávamos esperando os sintomas mais fortes aparecerem, em modo de alerta”. Mas, foi 15 após o começo dos sintomas que Camila sentiu falta de ar e precisou ir ao médico.  

A saturação de oxigênio foi medida pela médica em uma consulta marcada e de fato estava abaixo para sua idade. Correu para o pronto atendimento, por orientação da profissional, mas a oxigenação já havia voltado ao normal. “Esse foi o momento que eu mais tive medo, porque a médica falou que não era normal e que eu deveria ir com pressa para o hospital. Mas, ela normalizou e não tive maiores complicações”. 

Grupo de risco

Apesar dos pais também serem do grupo de risco, a preocupação maior foi com a avó, que mora na mesma residência. “Assim que soubemos que estávamos com Covid-19, a levamos para a casa dos meus tios, mas foi tarde demais”, conta Camila. Quatro dias após terem o resultado positivo, Nazaré foi internado, no dia 6 de julho, e seus tios também contraíram a doença.

“É horrível. A gente não conseguia visitar e ver como ela estava. Eu tinha muito medo porque ela teve dois AVCs e fumava desde os 13 anos”, diz a jornalista. Após 16 dias internada, Nazaré voltou para casa, mas acompanhada de oxigenação. 

Camila conta que a oxigenação trouxe alguns benefícios e que a avó está conseguindo se comunicar melhor agora do que antes de ter contraído o vírus. No entanto, algumas coisas que ela costumava fazer, como levantar da cadeira de jantar e ir até a cadeira de rodas andando, já não é mais possível. “Eu achei que ela não iria resistir se pegasse coronavírus. Ela é uma caixinha de surpresas mesmo”, conclui. 

Cuidados após Covid-19

Sobre os cuidados após ter contraído a doença, Camila disse que ficou muito mais tranquila agora. Antes, o medo tomava conta de seus dias. Agora, por ter passado pela experiência, não tem mais tanto receio.

“É claro que eu não saio para bares, não me sinto confortável para fazer isso. Mas, eu não estou mais tão neurótica quanto antes. Afinal, eu tive todo o cuidado e mesmo assim peguei. Então, se for para ser, será”, afirma Camila. 

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