Opinião

É possível prever como será a moda no pós-pandemia?

O período pode ser comparado com o pós-guerra, dando ao consumidor aquilo que ele precisa.

Por Mellanie Anversa.

Apesar de todos saberem e entenderem o que é moda, há vezes em que o ramo não é analisado e associado à períodos marcantes da história. No entanto, como a moda é, também, um reflexo do comportamento social, nada mais natural que avaliar seus períodos de acordo com acontecimentos históricos.

Esse é o caso do pós-guerra. Enquanto a Europa se recuperava dos escombros da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a moda respondeu de forma positiva ao momento. Um dos nomes mais marcantes da área até os dias atuais, Christian Dior, conseguiu fazer uma leitura comportamental do que era desejado pela população.

“Na década de 50, a população ainda estava muito enraizada no consumo. Então, a resposta naquele momento foi usar a roupa para dar aquilo que não tinha, no caso, status e posicionamento. Sem contar que as mulheres faziam de tudo para manter seus maridos em casa, que haviam ido à guerra. Um exemplo disso são os esmaltes e o batom vermelho”, conta a designer, educadora e mentora de moda, Dani Nogueira.

Ali, o ser humano pedia uma moda que o suprisse, mesmo que na superficialidade. Hoje, no entanto, só é possível identificar isso por conta de outros comportamentos que temos. E, avaliando toda essa mudança e crescimento histórico, Dani diz que a moda não consegue mais, após uma pandemia, oferecer um mundo melhor através de roupas.

“Há pessoas investindo e se ligando em coisas para seu bem-estar. Portanto, quem souber fazer peças de longa duração e respondendo ao nível de consciência que é esperado de uma marca, vai conseguir se encaixar”, completa.

Portanto, há indícios de que o período não seja parecido com o pós-guerra. Enquanto no anos 50 a população procurava uma estética mais refinada para se reposicionar, agora estamos buscando uma profundidade maior nos produtos. No entanto, a moda ainda vai oferecer às pessoas o que elas precisam.

A era da informação

Nos dias atuais, é comum ouvir o conceito sobre a era da informação. Num momento nunca vivido na história, é possível ter acesso à diversas fontes de forma muito rápida e prática. Apesar dos inúmeros benefícios que isso traz, há um esgotamento por conta do volume.

No entanto, mesmo que estejamos vivendo um momento histórico, recheado de informações a todo segundo, literalmente, isso não significa que a moda irá traçar um caminho de desintoxicação. Obviamente, há pessoas que vão se acostumar a usar menos informação, é um tipo de comportamento. O que não falta são relatos na internet de que quando tudo voltar ao “normal”, as pessoas não vão tirar o moletom do corpo.

Mas, eu pergunto, não vão mesmo? Eu me coloco nisso. Hoje, em isolamento, o único lugar que vou é na casa do meu namorado aos domingos. Esse é meu dia de produção. Passo maquiagem, escolho uma boa roupa e me encho de acessórios: brincos, anéis, colares, óculos, chapéus e toucas. Não há um final de semana em que não me produza.

Aos meus olhos é muito claro, eu sinto falta de me arrumar, de me sentir produzida. Não foi uma vez em que eu montei uma maquiagem durante a pandemia só para tirar algumas fotos. Por isso, entendo que parte das pessoas não vai querer só usar moletom quando sair de casa. Nós também queremos informação.  

Acho que isso condiz muito com a nossa era de conectados. É possível prever uma tendência pós-pandêmicas com um mundo tão polarizado? Com tantas pessoas diferentes e gostos diversos? Não sei.

Penso que a pós-pandemia vai trazer mudanças sim, mas voltadas à produção responsável que já estava engatilhada antes do vírus aparecer. Mas, ao mesmo tempo, vejo costumes antigos virem a tona. Um exemplo disso são as lojas de varejo que já retomaram fora do Brasil. O número de vendas desses locais voltaram a ser os mesmo do período pré-pandêmicos, segundo a BBC.  

Concluindo, acho que teremos mudanças positivas, mas de pessoas que já estavam engajadas com comportamentos responsáveis, como uma forma de aceleração. Mas, acredito que velhos hábitos vão voltar. O mundo é muito plural e a era da informação permite diversos comportamentos. Por isso, acho difícil afirmar o que de fato está por vir.  

Essa é minha opinião a partir dos relatos, dados e personagens que entrevistei. E vocês, o que acham? 

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