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Como estão sendo feitas as limpezas durante a pandemia em carros de aplicativos em Curitiba

Uma pesquisa da Fiocruz revelou que o coronavírus fica até três dias em automóveis. 

Por Ricardo Alcantara.

A preocupação com a segurança ao utilizar um automóvel é um assunto bem antigo. Mas, se antes os cuidados eram especificamente com os freios, faróis, cintos de segurança e airbags, agora é necessário também se preocupar com o coronavírus. No entanto, isso se torna ainda mais preocupante quando o carro utilizado é compartilhado com pessoas fora do convívio pessoal, como é o caso dos automóveis de aplicativos de transportes. 

De acordo com estudo divulgado pela FioCruz, fundação vinculada ao Ministério da Saúde que promove o desenvolvimento social e sanitário, o coronavírus pode ficar ativo, ou seja, transmissível, por até 72 horas (três dias) em algumas superfícies externas e internas dos automóveis. 

Segundo a pesquisa, que foi realizada por cientistas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e publicada no New England Journal of Medicine, uma das publicações científicas mais prestigiadas do mundo na área da medicina, o vírus pode resistir cerca de 72 horas no plástico – componente que está presente em várias superfícies dentro do habitáculo de um veículo. No aço inoxidável, presente em acabamentos em vários modelos de automóveis, a durabilidade também é alta, de 48 horas. Em uma caixa de papelão mantida no porta-malas, por exemplo, a sobrevida do novo coronavírus é de até 24 horas.

Esses dados fornecem motivos de preocupação e faz com que os proprietários de automóveis, e, principalmente, motoristas de aplicativos, que recebem dezenas de pessoas em seus carros diariamente, procurarem a forma mais eficiente de higienizar um veículo para mantê-lo livre do coronavírus. 

O infectologista do laboratório Frischmann Aisengart, Alberto Chebabo, cita os principais cuidados para diminuir os riscos de contágio. De acordo com ele, o ideal é manter o veículo sempre com as janelas abertas. “Isso vai aumentar a circulação de ar dentro do carro e diminuir a chance de transmissão”, orienta. 

Além disso, o médico também orienta que os passageiros se sentam no banco de trás sempre que for possível – contra a lateral do motorista -, evitem a vocalização, usem máscara (tanto passageiro quanto motorista), e higienizem as mãos ao entrar e ao sair do veículo. “Isso aumenta ainda mais a segurança de todos dentro do veículo, tanto do motorista em relação ao passageiro, quanto do passageiro em relação ao motorista”, explica. 

Outra dica muito simples, mas não menos importante, é a higienização frequente do veículo, várias vezes por dia, explica a médica infectologista do Grupo Iron, Ana Helena Figueiredo.

Segundo a médica, a higienização frequente é a forma mais eficaz de combater a contaminação. “A maneira mais adequada é aquela feita antes e após a conclusão do uso do automóvel”, explica. De acordo com a médica, os principais pontos de atenção na hora da higienização devem ser as superfícies com maior tendência de contato no uso diário, como maçanetas internas e externas, dos botões ou alavanca de abertura dos vidros, do volante, da marcha, console, e do freio de mão, “pois podem ser focos de infecção”, explica. 

E se engana quem imagina ser necessário métodos sofisticados para efetuar uma boa higienização. De acordo com Chebabo, as superfícies duras e não porosas dos veículos (portas, maçanetas, console) podem ser facilmente desinfectadas com solução desinfetante, tal como álcool 70%. Já as superfícies porosas (tecidos dos bancos e cintos de segurança) podem ser higienizadas com álcool líquido mesmo. “Também é recomendável que a pessoa que executou o processo higienize suas mãos e evite tocar nos olhos e nariz”, ensina Chebabo.

Confira as estratégias das empresas de transporte por aplicativos para conter a transmissão:

99 

A 99 foi a única empresa de aplicativos de transporte que aplicou nos veículos de colaboradores um processo de desinfecção que, segundo eles, “cria uma camada extra de proteção por até 72 horas”. Quando expirada a proteção, os motoristas podiam voltar para a fila de limpeza do automóvel, que era gratuita, sempre que fosse necessário.

A companhia relatou que, em todo o Brasil, mais de 50 mil carros foram submetidos a esta técnica. Em Curitiba, a ação de higienização ocorreu até o dia 4 de junho. Por meio de nota, foi informado que a empresa estuda promover a segunda etapa da ação, mas não revelou datas. 

A empresa também informou que desde 16 de junho está distribuindo gratuitamente escudos protetores para seus motoristas de maneira gradual em Curitiba e mais 14 cidades do país. De acordo com a empresa, o valor investido nas divisórias de proteção é de R$ 900 mil. 

A 99 informou que os motoristas com mais corridas estão sendo priorizados para receber a proteção “para atingir o maior número possível também de passageiros”.

Além disso, a empresa está distribuindo meio milhão de máscaras laváveis aos parceiros da capital paranaense, e mais de 19 cidades do Brasil. Somam-se às ações práticas, os vídeos educativos e podcasts sobre um fundo, no valor de US$ 10 milhões, que a companhia criou para auxiliar motoristas diagnosticados com a Covid-19.  

Uber

A Uber, no entanto, não investiu em higienização dos carros como a concorrente. A empresa criou um mecanismo de verificação online das medidas de segurança. Antes que o motorista possa ficar online, é solicitado a ele que confirme o uso da máscara de proteção facial.

Para isso, o parceiro colaborador precisa tirar uma selfie. Uma vez detectado esse objeto na imagem, o indivíduo está liberado para fazer as corridas. A tecnologia passou a valer para o mundo inteiro no dia 15 de maio. 

Além desta tecnologia empregada, a Uber também oferece a possibilidade para que os motoristas peçam reembolso para itens como álcool em gel e máscaras que foram comprados.  

Constantemente, o aplicativo envia mensagens informativas a clientes e motoristas sobre cuidados a serem tomados. Além disso, foi suspensa a modalidade Uber Juntos – que permitiria o compartilhamento de viagens.

A empresa também informa que desde o início de junho está instalando sua divisória em carros de algumas cidades. A previsão é que as divisórias cheguem em breve a Curitiba. A empresa, porém, não revelou a quantidade de divisórias que serão distribuídas. 

Além disso, a companhia promete assistência financeira ao motorista ou entregador parceiro diagnosticado com coronavírus ou que fizer parte do grupo de risco por até 14 dias, desde que apresente atestado médico. Contudo, o valor deste benefício não foi informado. 

Cabify

A Cabify informou que disponibiliza, desde maio, uma película plástica de isolamento aos colaboradores. Além desse material, que tem sobrevida superior a seis meses, a empresa distribuirá máscaras reutilizáveis e álcool em gel.  

A empresa afirmou, por meio de nota, que a iniciativa abrange as oito cidades brasileiras onde atua. A película, contudo, não será aplicada em todos os carros, mas somente nas áreas de maior fluxo e em veículos de motoristas mais ativos.

1 comentário em “Como estão sendo feitas as limpezas durante a pandemia em carros de aplicativos em Curitiba

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