Crônicas

A minha máquina de escrever

Por Vinicius Frois

A minha paixão pelo jornalismo sempre foi permeada pelo saudosismo às redações de décadas passadas, que pouco ou quase nada se parecem com as de hoje, falando de simbolismo, talvez. É como se as antigas tivessem aquele romantismo do jornalismo no ar.

E quando falamos em objetos do passado, sempre lembramos de quinquilharias que foram dispensadas ou estão escondidas num sótão, juntando poeira. No entanto, por mais que sejam inúteis de certa forma, temos por elas valores sentimentais.

Como jornalista, uma dessas velharias que mais me desperta paixão é a máquina de escrever. Durante a minha vida, sempre quis ter uma sobre a mesa, mesmo sabendo que as novas tecnologias já a atropelaram e nela eu não faria mais do que algumas pequenas frases para satisfazer a vontade de ouvir o ‘tec-tec’ incansável de suas teclas. Finalmente consegui.

De um jeito improvável, encontrei uma Olivetti Linea 88, lançada em 1966 pelo que apurei, e não me contive. Apelei para o lado sentimental com o dono e, com alguns poucos reais, consegui trazê-la para casa.

Agora ela está lá, repousada sobre a mesa, um pouco cansada nas teclas e na aparência, mas ainda cumprindo a sua função. Inclusive, foi ela que registrou as palavras da foto acima.

Não sei quantas cartas ou documentos ela escreveu, nem mesmo por onde esteve durante o meio século em que está vagando por outras mesas, mas sei que agora ela é minha e só eu sei o quão feliz estou.

Se é saudosismo demasiado, então que me perdoem os desapegados.

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