Crônicas

Momento profissional dos sonhos

Por Mellanie Anversa.

Este texto parece um pouco de tietagem, mas é o relato de um momento especial que não foi exposto na época.
Eu vim de família simples. Tudo que meus pais e eu conseguimos foi com extremo esforço. Justamente por isso, trabalho desde muito cedo e sucesso na carreira profissional sempre esteve nos meus planos. Isso sempre foi uma parte importante da minha vida. Apesar da pouca idade, não foram poucas as experiências que tive no mercado, já que sempre busquei algo melhor, incansavelmente.
Ultimamente, tenho me perguntado o que sucesso profissional quer dizer e o que de fato isso significa para mim. Há pouco tempo, isso era relacionado ao topo da pirâmide. Hoje, nem tanto – talvez um dia eu explique.
Lembro-me como se fosse ontem. Eu trabalhava há um ano e seis meses como trainee no maior jornal do Paraná. Certo dia, o editor-chefe da editoria de Curitiba do Jornal Gazeta do Povo, Marcos Xavier Vicente – o Marcão –, veio me perguntar se eu aceitava fazer um teste para repórter na editoria dele. Essa equipe – hoje inexistente no jornal – cobria tudo que era relacionado à capital paranaense, o famoso hard news.
Sem muito se importar com meu potencial, ele sugeriu que eu trabalhasse por uns dias na equipe e, assim, me avaliaria. Ele me perguntou o que eu fazia como trainee, e, ao final da minha frase, perguntou ironicamente: “Então, basicamente, você não escreve?”.
Senti um arrepio na espinha de insegurança. Tinha que provar, em apenas dois dias, que eu seria capaz de escrever um bom texto e com uma apuração impecável – o Marcão não espera menos que isso de seus repórteres.
Foram dois dias pesados, mas nada perto do que era a realidade daquela editoria. Toda a experiência que eu tinha com reportagem vinha da faculdade. E, sério, isso não vale para absolutamente nada no mercado, ainda mais nos padrões daquele editor.
Não me esqueço do tempo cinzento lá fora, chuvoso. Meu teste tinha chegado ao fim, eu não sabia se havia passado ou não. Foi sob a chuva fina, na sala de reuniões ao lado da diretoria do jornal, que recebi a melhor notícia que poderia ter naquele momento. “Você aguenta?”, perguntou o Marcão me olhando através das lentes fundas dos seus óculos (esse mesmo olhar me deu várias broncas depois).
Eu consegui, a vaga era minha. Eu não chorei naquele momento, talvez porque não tinha acreditado. Ele me pediu para não contar a ninguém, trâmites internos. E como se nada tivesse acontecido, saí da sala de reuniões radiante, risonha, sem contar absolutamente nada para meus colegas.
Após o aval do meu editor, pude expor ao mundo um pouco da minha conquista. Esse foi, sem dúvida, um dos momentos mais importantes da minha carreira. Enquanto trabalhei naquela editoria, fui muito feliz. Pude provar um pouco do meu potencial, talvez descobri-lo. Me emociono só de pensar em como foi triunfante chegar lá.

*Ilustração de Antônio Henrique.

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