Crônicas

O reino de Evelyn

Por Vinicius Frois

Era uma vez, em meados de MMXVIII, um imenso reino localizado na província de Curitiba.

Destacado num vasto horizonte existia um imenso castelo rodeado por muralhas imponentes e torres com guardas armados por lanças e protegidos por armaduras e escudos.

No interior do castelo, em uma das muitas salas da fortaleza, estava a rainha de todo aquele império, acompanhada de seu mais fiel súdito. Cada um em uma ponta da mesa, planejando a difícil tarefa de invadir uma caverna e recuperar o tesouro do reino.

A rainha, com uma voz forte, dava as primeiras orientações:

– Temos a poção que meu amigo fez. Ela pode nos transformar em pessoas pequenas, do tamanho de formigas, mas só usaremos em último caso, para nos escondermos. Estou com medo dessa missão.

Seu subalterno replicava:

– Alteza, é muito perigoso, mas precisamos recuperar aquele baú. Quais armas nós temos?

Ela abriu um pequeno livro e, apontando para alguns rabiscos feitos à caneta, foi listando:

– Temos o chapéu que nos torna invisíveis, a capa que cria um campo de força, um escudo mágico e um narrador, que é muito inteligente e nos indica os caminhos.

Não achando suficiente, o súdito resmungou:

– Mas isso é pouco! Precisamos de espadas e um cavalo voador. Como vamos conseguir?

Sem demonstrar qualquer mudança de espírito, a rainha deu a ordem:

– No meu quarto, dentro da cômoda, tem um pacote de moedas de ouro. Pegue e traga a mim. Vou pedir ao ferreiro para fabricar duas espadas de aço para nós e comprar um cavalo alado.

Ele obedeceu e, quando voltou, indagou:

– Temos tudo. Qual o próximo passo?

Olhando para o chão, a rainha determinou:

– Vamos sair pela manhã, antes de o sol nascer. Coloque as espadas, o chapéu e a capa na bolsa e prenda-a ao cavalo. Dê algumas gotas de poção ao narrador e, quando ele ficar pequeno, guarde-o em um compartimento da sua armadura.

Sobre o plano, ela completou:

– Chegando à entrada da caverna, eu fico com a capa e você com o chapéu. O narrador nos ajudará, pois, além de indicar o caminho, ele tem visão de raio-x e pode ver os inimigos através da parede. Quando encontrarmos o dragão que guarda o baú, usaremos o chapéu da invisibilidade para chegar perto e ataca-lo. Jogue a capa sobre nós quando ele soltar fogo. Depois de derrotá-lo, fugimos com o tesouro.

Com os olhos arregalados, o súdito concordou com a cabeça e arrematou:

– Perfeito. Então vou descansar e, antes do sol, estarei pronto. Estou indo descansar.

Ele se prostrou diante da rainha, que o permitiu ir.

Os dois últimos atos desta história realmente aconteceram.

A rainha se chama Evelyn e tem 22 anos. Ela tem microcefalia e é dona de um universo que eu jamais conseguiria mensurar. E, bom… o súdito era eu.

Cada detalhe deste conto foi cuidadosamente criado por ela, das torres do reino ao ouro para o ferreiro.

Eu precisei ir, mas tive vontade de permanecer no universo de Evelyn. Apesar de dragões que soltam fogo, cavernas perigosas e poções esquisitas, ela tinha tudo sob controle.

0 comentário em “O reino de Evelyn

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: