Crônicas

Do povo ao pombo

Por Mellanie Anversa.

Cansados, frustrados e mutilados. Estavam os dois, em meio a uma via movimentada de ônibus. Um já não podia mais caminhar com as duas pernas, sofria a cada passo nos paralelepípedos irregulares. O outro praticamente chorava, com os olhos pesados olhando para o único pé que lhe sustentava. As imagens eram fortes, doía.

Largados e rejeitados, ninguém os queria por perto. Cabisbaixos, não notavam suas asas, onde elas poderiam os levar. Não queriam, apenas mancavam e sofriam na frente de todos no meio da via.

De repente, o ônibus passou levantando poeira e chicoteando o que havia por perto com sua calda gigante e pesada. Não se moveram. Nada mais havia para aqueles dois, nenhuma esperança, apenas sobreviviam em meio à multidão que ali passava e não se importava.

Aqueles dois, mutilados pela vida, esquecidos pela cidade, poderiam ser qualquer alma deixada nas esquinas, mas eram apenas dois pombos, em um terminal de ônibus sofrendo pelo fato de serem pombos.

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1 comentário em “Do povo ao pombo

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