Por Vinicius Frois.

Era quinta-feira. Eu estava no meu quarto, sentado em frente ao meu computador, focado nas minhas obrigações. Apenas a chuva quebrava o silêncio, mas seria por pouco tempo.

De repente ouvi batidas na janela e uma voz assustada.

– Cara, você está aí? Quero conversar com você.

Levantei e abri a janela. Era um conhecido, com um semblante pávido, pedindo para que eu fosse lá fora conversar com ele.

Ainda sem entender resolvi ir até ele.

– O que aconteceu, cara?

Ele disse que queria me contar uma história. Era a sua.

– Irmão, você me conhece e sabe que estou no mundo das drogas já faz tempo, mas é a primeira vez que tenho uma reação de medo. Então me desculpe te chamar assim, assustado. Eu só quero desabafar.

Apenas acenei com a cabeça e pedi para ele continuar. E foi isso que o rapaz me contou:

“Você que é um jornalista, ou pelo menos quase, pode usar a minha história para ajudar outras pessoas.

O crack é uma droga maldita. Isso aqui está me matando.

Há anos eu venho me enterrando ainda mais no meu vício. Não consigo mais parar.

Antes era legal. Eu tinha prazer cada vez que acendia o meu cachimbo. Meus amigos sempre estavam por perto e estávamos sempre felizes.

Só que um dia tudo começou a mudar. Eu perdi o meu emprego, algumas pessoas foram se afastando, minha família começou a se entristecer e eu me vi sozinho.

Nunca imaginei que em um dia eu estaria cuidando de carros na rua, no outro estaria revirando lixeiras, tudo para conseguir algumas moedas. Nunca imaginei que não ia ter uma casa para morar.

Essa é a minha realidade, a vida que eu levo. Hoje eu não tenho esperanças de conseguir alguma coisa na minha vida e não quero que outras pessoas tenham esse destino.

Use o meu exemplo e o que eu falei e tente levar para outras pessoas. Posso estar viajando com as minhas ideias, mas leve esta mensagem para as pessoas: Não usem crack. Não usem nenhuma droga.

Um dia, antes de eu partir daqui, vou pedir desculpas para todos aqueles que eu magoei de alguma forma. É a única maneira de eu ter paz.

Era só isso, desculpe te incomodar. Leve isso para as pessoas”.

E isso foi o que ele me contou.

Eu não refutei e apenas disse que faria o que ele me pediu.

Eu sempre quis ser a voz de outras pessoas e sempre soube que nem todas as histórias seriam felizes.

Este homem deu o seu recado, deu o seu conselho. Ser o seu mensageiro me faz ter o sentimento de dever cumprido.

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Feliz dia de uma mulher.

1 comentário em “Desabafo

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